Wilgner Murillo Santos foi
entrevistado pelo blog Um Universo Fantástico
Bianca: Qual sua opinião sobre o pouco incentivo que é dado a leitura, principalmente a nacional?
Wilgner: É
necessário virar a mesa e abrir os olhos para a realidade, o Brasil é
um país em que poucos têm acesso a bons livros, e por isso, poucos leem.
Mas há uma questão muito mais ampla, que tem raízes culturais,
econômicas e políticas, e é antiga na história do Brasil, o fato é que
ainda falta no brasileiro a tradição da leitura.
Vivemos num país onde a questão da leitura ficou muito relegada, mas,
ao mesmo tempo, nunca se falou tanto na questão da leitura como nos
últimos anos. Acontece que nem todos que trabalham com o livro no
ambiente escolar, ou nas bibliotecas (escolares, comunitárias,
municipais, estaduais), são leitores de literatura. E isso precisa
mudar, imediatamente, já que, segundo Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros.
Bianca:
O Brasil é um país onde é muito difícil de encontrar uma editora e ter
destaque na mídia, mas com tudo isso por que escolheu ser escritor?
Wilgner: São
poucas as editoras que publicam novos talentos da literatura nacional,
visto que o mercado editorial é um bicho-de-sete-cabeças — nem toda a
editora vai se arriscar a financiar uma publicação de um autor que não
tenha nome no mercado e que vá dar prejuízo a editora com a baixa venda
de livros. Ser escritor é uma jornada difícil, principalmente num país
onde faltam leitores e falta valorização para com o seu trabalho. E eu
vou citar um exemplo de como é ser escritor no Brasil — “A Academia
Brasileira de Letras, a casa fundada pelo grande escritor Machado de
Assis, outorga com a Medalha Machado de Assis, a medalha de mais alta
distinção da inteligência brasileira, Ronaldinho Gaucho. E a outorga se
deve aos relevantes serviços prestados a seleção brasileira, mas o que
foi que Ronaldinho Gaucho fez realmente pelo Brasil?” Professores,
cientistas, escritores, pessoas maravilhosas, trabalham anonimamente,
mas mudam os rumos da sociedade, e vão morrer sem nenhum reconhecimento
dos seus feitos. São esses tipos de acontecimentos que me tiram a
esperança de um Brasil melhor, falta meritocracia neste país. Contudo,
escolhi ser escritor, não por opção, simplesmente porque gosto do que
faço, ou seja, a literatura é a arte de preencher o vazio do ser humano,
daquele que escreve e daquele que ler.

CONFIRA TODA A ENTREVISTA NESTE LINK
Um Universo Fantástico: Entrevistando Wilgner Murillo Santos
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